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Talvez você tenha tomado aspirina ou outro medicamento da mesma família para outros problemas, como inflamação (edema de articulações ou de outras partes do corpo) ou febre. Mas você sabia que são consumidos cerca de 80 bilhões de comprimidos de aspirina por ano para esses problemas e muitos outros? Por exemplo, milhões de pessoas tomam aspirina para ajudar a prevenir infartos! Há boas razões para o médico dizer: "Tome duas aspirinas e me telefone de manhã!"
Neste artigo, Dr. Luke Hoffman faz uma análise da aspirina. Você aprenderá sobre muitos dos benefícios da aspirina, além de alguns bons motivos para NÃO tomar esse medicamento! Vai entender também porque a Bayer chama a aspirina de "o medicamento que faz maravilhas!"
A aspirina faz parte de uma família de substâncias químicas denominadas salicilatos (veja abaixo a química e a estrutura). Pessoas que se interessam pela medicina conhecem essas substâncias há séculos.
No século V a.C., Hipócrates, um dos primeiros e mais influentes médicos, escreveu sobre um pó amargo extraído da casca do salgueiro capaz de aliviar dores e abaixar a febre. Em 1700, o cientista Reverendo Edmund Stone escreveu sobre o sucesso da casca do salgueiro na cura da "malária", ou febre acompanhada de dores. Com um pouquinho de investigação química, os cientistas descobriram que a parte da casca do salgueiro que era (1) amarga e (2) boa para a febre e dor é uma substância química chamada salicina.
Depois de ingerida, essa substância química pode ser convertida (alterada) pelo corpo em outra substância química, o ácido salicílico. Em 1829, um farmacêutico conhecido por Leroux mostrou que a salicina é esse ingrediente ativo do salgueiro, e durante muitos anos ela, o ácido salicílico (feito de salicina pela primeira vez pelo químico italiano Piria) e outras substâncias da mesma família foram usados em doses elevadas para tratar a dor e o edema em doenças como artrite e para tratar a febre em doenças como a gripe.
![]() Ácido salicílico |
O problema dessas substâncias químicas era que irritavam muito o estômago do usuário. Na verdade, algumas pessoas apresentavam sangramento no trato digestivo causado por doses elevadas dessas substâncias, necessárias para controlar a dor e o edema. Uma dessas pessoas foi um alemão chamado Hoffmann. Ele sofria de artrite, mas não "tinha estômago" para o ácido salicílico. Aí entra em cena o filho dele, o químico alemão Felix Hoffmann, que trabalhava para uma empresa química conhecida por Friedrich Bayer and Co. Felix queria descobrir uma substância química que não fosse tão forte para o estômago do pai; ao seguir o raciocínio de que o ácido salicílico era irritante por ser um ácido, ele submeteu o composto a duas ou três reações químicas que anulavam uma das partes ácidas com um grupo acetil, convertendo-a em ácido acetilsalicílico (ASA). Ele constatou que além de reduzir a febre e aliviar a dor e o edema, o ASA era melhor para o estômago e funcionava ainda melhor do que o ácido salicílico.
![]() Ácido acetilsalicílico |
Infelizmente, Hoffmann teve que esperar pela fama. Ele completou os estudos iniciais em 1897, e seus empregadores não deram muita atenção porque tudo era novidade e eles preferiram ter cautela - para eles, o medicamento precisava de mais testes. Em 1899, contudo, um dos principais químicos da Bayer, um cientista chamado Dreser, concluiu a demonstração da utilidade do potente medicamento e até lhe deu um novo nome: aspirina. Acredita-se que o nome veio de uma planta da família de uma rosa que produz o ácido salicílico (várias plantas produzem esse composto, não apenas o salgueiro). A Bayer pôde então apoiar o medicamento testado; divulgaram a notícia e comercializaram amplamente o novo comprimido.
Nos cem anos seguintes, esse medicamento sofreu altos e baixos, ao menos duas novas famílias de remédios derivaram dele e inúmeros artigos de pesquisa foram publicados sobre a aspirina. Muitos foram publicados apenas nos últimos cinco anos! Uma das pesquisas mais importantes sobre a aspirina surgiu no início da década de 70, quando um cientista britânico chamado John Vane e seus colegas mostraram como ela funciona (ver as seções seguintes). Seu trabalho foi tão importante que eles receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 1982. O Dr. Vane até foi condecorado cavaleiro britânico por seu trabalho!
Ninguém sabe exatamente como funciona a dor. Na verdade, sabe-se muito sobre ela, mas quanto mais descobrimos, mais perguntas surgem. Por isso, vejamos uma perspectiva simplificada.
A dor é realmente algo que sentimos no cérebro. Por exemplo, digamos que você dá uma martelada no dedo. A parte do dedo prejudicada tem terminações nervosas - pequenos detectores nas articulações e na pele que sentem coisas como calor, vibração, o toque leve de objetos como o mouse que você está segurando, e, é claro, grandes choques esmagadores como uma martelada. Há receptores distintos para cada uma dessas sensações. O tecido danificado no dedo também libera algumas substâncias químicas que fazem com que essas terminações nervosas registrem o choque com intensidade ainda maior - como aumentar o volume do som para ouvirmos melhor. Algumas dessas substâncias químicas são as prostaglandinas, e as células funcionais nos tecidos danificados levam essas substâncias a usarem uma enzima chamada ciclooxigenase 2 (COX-2).
Em conseqüência das prostaglandinas, as terminações nervosas participantes agora enviam um sinal intenso pelos nervos passando pela mão, braço, pescoço até chegar ao cérebro, onde a mente decide que o sinal significa: "AI! DOR!" As prostaglandinas contribuem apenas com uma parte do sinal total que significa dor, mas essa parte é importante. Além disso, as prostaglandinas não só nos ajudam a sentir a dor do dedo machucado, como também fazem o dedo inchar (isso se chama inflamação) para banhar os tecidos em fluido do sangue que o protege e ajuda a curar. Lembre-se de que essa é uma versão simplificada da história da dor; muitas substâncias químicas participam do processo, não apenas as prostaglandinas.
Essa via funciona muito bem para nos dizer que o dedo está machucado. A dor tem um objetivo aqui: ela nos faz lembrar que o dedo está machucado e que precisamos ter cuidado com ele e não usá-lo antes que esteja curado. O problema é que, às vezes, partes do corpo doém sem levar martelada ou sem nenhum outro bom motivo. Por exemplo, às vezes temos dor de cabeça, provavelmente porque os músculos do couro cabeludo e do pescoço estão tensos por causa do estresse ou porque um vaso sangüíneo no cérebro tem um espasmo. Muitas pessoas sofrem de artrite, que é edema e dor nas articulações, por exemplo, articulações dos dedos ou joelho, e além de causar desconforto, esse problema pode danificar as articulações permanentemente. Além disso, muitas mulheres sentem dores no abdômen durante a menstruação, mais conhecidas como cólicas, sem nenhum motivo real. Parece que esses processos também envolvem as prostaglandinas.
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